Só, e por isso…

Provavelmente você preencheria a palavra solitário.. Por que o pensamento comum é que solteiro e solitário são sinônimos.

Mas isso está certo? Essa conclusão sempre se mostra verdadeira? Ao observar a vida da falecida Rainha Guilhermina da Holanda, que escreveu um livro ”Sozinha, mas não solitária.”, pode-se concluir que ela estava só, mas não sofrendo de solidão. O seu secretário particular Thijs Booy escreve neste sentido: “Não há nenhum compatriota que esteja tão só , quanto ela.” Contudo, a rainha Guilhermina era esposa, mãe, e estava cercada de pessoas e de status como nenhum outro.

Notável também é o que o médico cristão e conselheiro Paul Tournier escreveu. Ele disse que a maioria das pessoas que vinham até ele com problemas, não eram solteiros. Problemas dentro de um casamento ficam mais ocultos, mas são muitas vezes mais doloridos . Uma amiga minha, que durante anos trabalhava num ministério de S.O.S. por telefone, chegou a mesma conclusão.

Solidão há razões mais profundas, do que se pensa. Está mais no coração e nas atitudes do homem, do que nas suas circunstâncias. Concluir que a razão da solidão está em outra área do que se pensou, não elimina o problema. De qualquer forma, não elimina o problema das pessoas que anseiam em vão por um casamento, ou que tiveram que abrir mão do cônjuge à vida ou à morte.

Cada uma delas anseia pela experiência de união de espírito, alma e corpo, com um ser amado. Isso se dá, porque Deus mesmo colocou esse desejo no coração humano.

Essa união completa somente de dá num casamento.

Como as pessoas que não vivem essa experiência, lidam com isso? Pensar no futuro celeste, – onde o casamento não existirá mais – não tira a dor aqui e agora. Ou concordar intelectualmente com as palavras do apóstolo Paulo: “Quem casa, faz bem, e quem não casa, faz melhor”, não satisfaz emoções não satisfeitas. Não preenche horas solitárias.

Antes de dar alguns conselhos que podem possivelmente oferecer alguma ajuda, é bom constatar duas coisas.

Em primeiro lugar, devemos constatar que a carência do solteiro – e vamos nos restringir a isso no seguir desse artigo – ao mesmo tempo é a carência da sociedade. O fato de não saber aceitar, integrar e apreciar os solteiros de forma acertada nas igreja e também na sociedade em geral, tem causado muito prejuízo à sociedade e a Igreja. Infelizmente!

Muitas feridas desnecessárias foram feitas e muita energia criativa se perdeu. Contribuições específicas e insubstituíveis de solteiros foram muito pouco aproveitadas. Isso nunca pode ter sido a intenção de Deus.

Em segundo lugar não devemos esquecer que Jesus Cristo, que se tornou homem como nós, que conheceu fome, cansaço, tristeza e felicidade, passou pela vida como solteiro. Ele, que cresceu dentro de uma família, de um marido, uma esposa e filhos, continuou a sua vida adulta sozinho.

Devemos ver esse fato com discrição, mas somente Deus o Pai e Jesus Cristo sabem o peso das palavras que “Ele foi tentado em todas as coisas.” (Hebr.4:15).

Cristo dedicou-se durante a sua vida terrestre em fazer a vontade de Deus. Nisto também coube o seu estado de solteiro. Da mesma forma, o nosso estado civil de solteiro ou descasado cabe dentro do plano que Deus traçou para as nossas vidas. O fato de estarmos sós, não é a “segunda escolha” de Deus. Quando pensamos em “primeira escolha”, sempre pensamos em casamento.

O solteiro vê a sua vida consequentemente como “segunda escolha”. Porém, na economia de Deus não existem os que “sobram”. Ele que tem a visão do total, traçou uma tarefa para cada ser. Nenhuma outra pessoa pode fazer a sua tarefa de forma perfeita.

Significante na vida de Jesus é o espaço que Ele deu a amizades. Notável é que seus amigos íntimos, fora do seu ‘ambiente de trabalho”, eram três solteiros: Lázaro, Marta e Maria. Dentro do seu ministério havia um lugar especial para três dos seus discípulos: Pedro, João e Tiago.

Também nesse sentido podemos seguir o seu exemplo.

Queremos observar algumas diretrizes que podem auxiliar a solteiros a dar conteúdo, alegria e sentido as suas vidas.

1. Aceite a situação em que você se encontra

Não de forma fatal, ou porque não tem outro jeito. Mas porque podemos confiar que Deus, na sua sabedoria e amor, nos indica exatamente o lugar que Ele tem de melhor para nós.

Podemos constatar que em nosso mundo imperfeito não existem relacionamentos cem por cento ideais. Cada pessoa tem que entregar alguns dos seus ideais, e se contentar com uma felicidade parcial.

2. Cuidado com a auto-compaixão e a amargura

Estes são dois dos perigos maiores que rondam os solteiros. Auto-compaixão é mortal, porque esta não coloca o Senhor, e o nosso próximo no centro das nossas vidas, mas a nós mesmos. Amargura azeda a própria vida e é contagiante. A amargura cria confusão ( Hb 12:15).
Ninguém consegue amar verdadeiramente uma pessoa que é amargurada e egocêntrica.

3. Ame-se a si mesmo

Isso pode parecer estranho, mas é bíblico. O Senhor Jesus amou tanto a mim e a você, que Ele deu a vida por nós. Como nós podemos nos subestimar, se Ele nos dá tanta importância?
Cristo nos manda amar o próximo como a nós mesmo. (Mt 22:39) isso significa que somente podemos amar o outro se vivemos em harmonia conosco mesmo.

Amar-se a sim mesmo não significa procurar desculpar suas caraterísticas negativas. Significa que nós nos aceitamos, como Cristo nos aceita. Como somos, e o que somos. Incluindo o nosso físico e caráter. Dentro dessa realidade devemos dar espaço ao Espírito Santo, para nos transformar à imagem de Deus.

4. Seja grato.

Pessoas gratas são pessoas atraentes. Gratidão nos faz ser menos vulneráveis. Nós nos tornamos gratos, se olhamos para aquilo que possuímos, em vez de olhar para aquilo que não possuímos. Uma pessoa grata crê que Deus não a negou nada que fosse bom ( Rom.8:32).

Gratidão registra não somente as desvantagens, mas também as vantagens de ser solteiro.

Uma solteira tem mais facilidades de se desenvolver, se educar, seguir vocações do que uma mulher casada ( pense em mães com filhos pequenos).

Há mais tempo para amigos, para hobbies, viagens, etc. Usar essas possibilidades não é egoísta, mas gozar com coração grato as compensações que Deus oferece.

5. Desenvolva amizades e bons relacionamentos

Nenhuma pessoa consegue viver sem amizade. Receber amizade implica também dar amizade.

O Senhor Jesus agiu assim. Isso gasta tempo e esforço. Vale a pena se dar o trabalho de procurar numa concordância os versículos sobre amigos/amizade. Também o livro de Provérbios dá muito informação a respeito.

6. Procure um trabalho adequado

O trabalho é uma das maiores bênçãos que o Criador deu à humanidade. A ordem ao trabalho já achamos na primeira página da Bíblia. Depois é repetido de formas variadas. O sentimento de dar uma cooperação valiosa à sociedade é muito gratificante. Isso é especialmente verdade para o solteiro.

Cada solteira seria sábia se continua se desenvolvendo . Até uma fase de desemprego pode ser usada de forma útil, estudando ou aprendendo algo. Um desenvolvimento contínuo é a melhor preparação para a vida, independente se uma moça se casa ou não. Cada jovem mulher casada tem que levar em conta que um dia ela provavelmente será viúva. As estatísticas provam que mulheres vivem mais que homens.

Educação e habilidade não tiram a tristeza da perda, mas facilitam para achar novamente um lugar na sociedade, e desta forma se tornar menos solitária. Portanto, cada mulher casada faz bem, de se atualizar, dentro das possibilidades dela.

7. Doe-se a sim mesma a outros

A pessoa mais sábia que viveu foi Salomão. Ele disse em Pv 11:24,25: “A quem dá liberalmente ainda se lhe acrescenta mais e mais; ao que retém mais do que é justo, ser-lhe-a em pura perda”. A alma generosa prosperará e quem dará a beber será dessedentado.” Se dar à outros é o melhor remédio contra a solidão. Muitas vezes se recebe mais, do que se doa.

Uma visita, um telefonema, levar um buquê de flores, podem fazer milagres. Nosso mundo é pobre em interesse genuíno e amizade. Solteiros(as) idosos(as) muitas vezes vivem isolados como também mães com crianças pequenas.

8. Sirva o Senhor Jesus Cristo

Paulo aponta em 1 Coríntios 7 para a maneira como o solteiro pode se “dedicar à causa do Senhor” (vs. 32-25) Isso não é um consolo barato, mas necessidade. Na igreja de Jesus Cristo a solteira é indispensável. Há tarefas que somente a mulher solteira pode fazer; por razões diversas a mulher casada não pode executá-las.

Pense na necessidade das mulheres solteiras no campo missionário. As vezes trabalham em postos, onde homens não tem acesso. Quanto mais pobre o mundo teria sido sem mulheres como Corrie ten Boom, Madre Teresa, e outras.

Há vocações menos visíveis do que as delas, e mais perto de casa, mas não menos excitante. Cada solteira, que procura seguir o seu caminho orando por direção do Senhor, achará um caminho em que pode desenvolver seus dons.

9. Estude as vidas de pessoas da Bíblia

A minha própria experiência e a de outras é, que estudar personagens bíblicas é muito esclarecedor e encorajador. Já apontamos para a vida do Senhor Jesus, que viveu a vida de solteiro.

A Bíblia menciona muitas outras vidas, como por exemplo José, que viveu como homem solteiro na casa de Potifar; Daniel, na corte da Babilônia, cujo vida exercia uma influência enorme. Sem eles a historia tinha sida outra. Quando Paulo escreve em 1 Cor. 7 sobre o estado de solteiro, ele não é casado.

Quanto à mulheres: quão inspirativa é a vida da Míriam, que na Bíblia é mencionada junto com Arão e Moisés como líderes do povo (Mq 6:4) Quão significativa foi a vida de Dorcas para as pessoas do tempo dela, A primeira testemunha da ressurreição de Cristo, Maria Madalena, era solteira. Lídia, a primeira convertida na Europa, provavelmente também o era. Tudo o que outrora foi escrito, para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.” (Rm 15:4).

Pessoas bíblicas são retratadas como pessoas com anseios, problemas e potenciais , que nós também temos. Podemos aprender do seu exemplo e das suas experiências, tanto as ruins, como as boas. Há pessoas que fascinam e advertem.

A grande diferença nas suas vidas não foi se eram homens ou mulheres, casados ou solteiros, a diferença que fizeram foi : o lugar que deram ao Senhor Jesus nas sua vidas. A medida da sua entrega determinava a sua felicidade e utilidade. Isso era verdade para eles, e, muitos séculos depois, também o será para nós.

Por: Gien Karssen

Fonte: Ministério Apoio

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